Sentindo a vertigem da informação.
Você já se sentiu paralisado pela quantidade de abas abertas no seu navegador? Ou se sentiu afogando em um oceano de notícias, posts e notificações que nunca para? Essa sensação de vertigem, de estar perdido em um dilúvio de dados, é a condição central da nossa era. É o nosso relacionamento de amor e ódio com o infinito.
Nossa nova exposição, A Biblioteca de Babel: Sobre a vertigem da informação, é uma homenagem ao conto do escritor Jorge Luis Borges e uma imersão profunda nessa angústia contemporânea. Se na biblioteca de Borges tudo o que pode ser escrito já existe, em nosso mundo digital, tudo o que foi escrito, filmado ou gravado está potencialmente acessível. O que fazemos com essa infinitude?
Prepare-se para uma experiência imersiva e avassaladora. Queremos que você sinta a informação. As paredes da galeria estão cobertas do chão ao teto com textos em fonte minúscula. Dezenas de monitores exibem, em alta velocidade, feeds de redes sociais e canais de notícias. O ar é preenchido por uma cacofonia de sussurros sobrepostos. É uma exposição sobre o próprio problema do arquivo infinito e o papel do museu hoje: como podemos selecionar, dar sentido e guiar alguém no meio de tanto ruído?
Mas no coração deste caos, há uma promessa de alívio. Uma pequena sala, silenciosa e completamente vazia, chamada “O Oásis”. Um espaço para respirar, para o silêncio, para a reflexão. Um lembrete de que, no meio da tempestade de dados, a clareza ainda é possível. O acervo, que vai de um frágil papiro antigo a um rack de servidor moderno e pulsante, mostra a evolução exponencial desse nosso desejo e medo de registrar tudo.
A Biblioteca de Babel é mais do que uma exposição. É um diagnóstico do nosso tempo. Um convite para se perder e, quem sabe, se encontrar.